segunda-feira, 6 de abril de 2015


Pés sob pedras


Sinto que tenho andado numa estrada de pedras descalça onde qualquer adversidade ou obstáculo pode me destruir. O desejo súbito de autodestruição ou até mesmo dilaceração vem a tona. O desejo de dilaceração torna-se crescente. O desejo de desistir da vida e de tentar jogar tudo para o espaço se concretiza. A dor que emacula pelo corpo todo se agrava. Como um tumor que se espalha pelo corpo e vai causando uma destruição crescente. Vida ingrata. Vida ingrata que nos uniu. Vida desgraçada que nos separou deixando uma mácula em dois corpos e uma alma, todos separados pelo destino.
E de repente o amor se dilacerou. Tornou-se cinzas, tornou-se amargura e dor. Lembranças também causam uma dor crescente que não consegue se libertar, uma dor infinita e constante. A dor cresce como um feto na barriga de uma mãe, mas parece infinita e não consegue se libertar. Maldição que ressoa trazendo desprezo e saudades incuráveis. Amor doloroso que causa inveja, obsessão, mágoas, rancor e infinitos sentimentos. Sentimentos se transformam em um infarto sem causa, fruto de uma insatisfação e desistência da vida. O sentido da vida desaparece e por fim, o coração pára sem volta. Amo-te eternamente.
Choro, lembranças, feridas e momentos se concretizam em luto. Luto por um um amor intenso que no final causou tanta dor. Dor incurável. Dor latente. Dor constante. E quando quiseres conversar e ter um reencontro, saiba que estarei esperando-te sempre. Estarei segurando sua alma para termos uma linda história e para que corpos se curem de um acidente provocado pelo destino. Acidente fatal que nos uniu e atrozmente nos separou.

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